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Narguilé vira mania nas praias, Cachimbo coletivo de origem árabe, usado para fumar tabaco aromatiza
Curitiba, 14 de janeiro de 2008

Nessa temporada, uma das principais diversões dos jovens nas praias do Paraná é o uso do narguilé. A novidade chegou ao litoral após ter se tornado moda no interior do estado no ano passado. Também conhecido como arguile, esse cachimbo coletivo tem origem árabe e é utilizado para fumar tabaco aromatizado. Grande parte dos jovens aluga o equipamento em bares na beira da praia, mas alguns possuem seus próprios narguilés e preferem sentar no calçadão para se reunir com os amigos e fumar. “Não tem graça nenhuma fumar sozinho. O legal é a roda de amigos e as conversas que surgem enquanto a gente fuma”, explica o estudante Vinícius Pontes, 19 anos, que comprou o equipamento há cerca de quatro meses.

Independentemente do local e do horário escolhidos para fumar, a maioria dos usuários do narguilé ainda desconhece os prejuízos que o uso freqüente pode causar à saúde. “Os jovens acreditam que o narguilé é inofensivo porque não têm noção de que estão usando tabaco”, comenta o médico pneumologista Ricardo Meirelles, que trabalha na Divisão de Tabagismo do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Apesar de ser mais atraente do que o cigarro comum por apresentar sabor e cheiro mais agradáveis, o narguilé pode ser ainda mais prejudicial à saúde do que o próprio fumo tradicional. “Uma sessão de uma hora de uso do narguilé representa a inalação de 100 a 200 vezes o volume de fumaça inalado por um cigarro simples”, explica o consultor nacional da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) no Brasil, Jaime Rojas.

risco é ainda maior quando se pensa nos efeitos dos outros elementos utilizados no narguilé para que o tabaco seja consumido. Segundo o médico pneumologista do Hospital de Clínicas Jairo Sponholz, além da nicotina, o usuário do narguilé acaba consumindo outras substâncias tóxicas liberadas na queima do carvão, como nitrosaninas, hidrocarbonetos e metais pesados, elementos altamente cancerígenos.

No entanto, muitos usuários do narguilé ainda acreditam que os prejuízos à saúde podem ser reduzidos se a fumaça não for tragada. Sponholz e Meirelles desmistificam a informação. “Não é preciso tragar a nicotina para absorvê-la porque essa absorção é feita pela mucosa oral”, explica Sponholz. “O risco não atinge somente as pessoas que estão utilizando o narguilé, mas também os que estão próximos, que acabam se tornando fumantes passivos devido à exposição prolongada”, completa Meirelles.

Famílias de origem árabe, que usam o narguilé como forma de manter as tradições da terra natal, conhecem os efeitos maléficos do uso constante do cachimbo. “Para a gente, o narguilé é uma tradição como o chimarrão para os gaúchos, mas a gente sabe que não faz bem à saúde”, afirma a comerciante Kathy Rahall, 53 anos, de origem libanesa.

A estudante Bianca Saad, 19 anos, também pertence a uma família de origem árabe e, além de fumar o narguilé em casa com os pais, ela consome o tabaco com as amigas em ocasiões especiais, como churrascos e festas da faculdade. Durante a temporada, ela e as amigas Maitê Domanski, 18 anos, Steffi Hilty, 19 anos, e Anna Hey, 19 anos, fumam de vez em quando no bar Aldeia, em Caiobá. Mas logo ao dar as primeiras tragadas Bianca já avisa: “Não pode fumar muito porque faz mal”.

Fonte: www.gazetadopovo.com.br


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